Durante milhares de milhões de anos, os buracos negros supermassivos (SMBHs) atuaram como os pesos pesados do cosmos, atingindo massas milhões ou mesmo milhares de milhões de vezes maiores que o nosso Sol. No entanto, os astrónomos há muito que observam uma tendência intrigante: o rápido crescimento observado no Universo primitivo desacelerou.

Um novo estudo publicado no The Astrophysical Journal sugere que esses “monstros cósmicos” não estão diminuindo ou desaparecendo – eles estão simplesmente ficando sem comida.

O mistério da desaceleração do crescimento

Nas fases iniciais do Universo, especificamente durante um período conhecido como “meio-dia cósmico” (cerca de 10 mil milhões de anos atrás), os buracos negros cresciam a um ritmo incrível. Desde então, a sua taxa de expansão despencou.

Durante anos, os cientistas debateram a causa desta desaceleração, considerando três teorias principais:
1. Menos Candidatos: Existem simplesmente menos buracos negros ativos no universo moderno?
2. Tamanhos menores: Os buracos negros modernos são menores e, portanto, menos capazes de atrair matéria?
3. Consumo reduzido: Os buracos negros individuais estão simplesmente comendo menos do que costumavam?

Ao analisar dados de 8.000 buracos negros que se alimentam ativamente e de 1,3 milhões de galáxias, os investigadores identificaram um claro vencedor. A questão não é o número de buracos negros, mas a disponibilidade de combustível.

A abordagem do “bolo de casamento” para a descoberta

Para resolver este enigma, a equipa de investigação utilizou um desenho de “bolo de casamento” – um método de observação em camadas que combina levantamentos amplos e rasos do espaço próximo com olhares de “feixe de lápis” extremamente profundos e estreitos em regiões distantes.

A equipe confiou fortemente em observações de raios X de telescópios espaciais de primeira linha, incluindo o Chandra da NASA, o XMM-Newton da ESA e o eROSITA. Os raios X são a ferramenta ideal para esta pesquisa porque:
* Eles são produzidos pelo intenso calor da matéria que cai em um buraco negro.
* Eles se destacam claramente contra a luz das estrelas de fundo.
* Eles podem penetrar nas espessas nuvens de gás e poeira que muitas vezes obscurecem os buracos negros dos telescópios de luz visível.

Um declínio drástico no consumo

As descobertas são impressionantes. Os pesquisadores concluíram que a principal razão para a desaceleração é uma diminuição dramática no gás frio – o “combustível” essencial que os buracos negros precisam para crescer. Desde o pico do meio-dia cósmico, a quantidade de material disponível diminuiu, forçando até mesmo os maiores buracos negros a um estado de fome.

“Nossa melhor estimativa é que a diminuição seja um fator de 22”, observou o coautor do estudo, Neil Brandt.

Isto significa que a taxa de alimentação destes gigantes caiu mais de vinte vezes em comparação com o seu apogeu. Embora este estudo não explique como os buracos negros cresceram tão rapidamente no universo primitivo, ele fornece uma resposta definitiva para os últimos 75% da história cósmica.

Por que isso é importante para o Cosmos

O crescimento de um buraco negro supermassivo não é um evento isolado; está profundamente ligado ao ciclo de vida da sua galáxia hospedeira. Existe uma correlação conhecida entre a massa de um buraco negro e a massa das estrelas no bojo central da sua galáxia. À medida que os buracos negros crescem, eles influenciam a formação de estrelas e a evolução estrutural geral das galáxias.

O estudo confirma que a era de crescimento “desenfreado” dos buracos negros acabou. Com a população de buracos negros supermassivos estabilizada em grande parte há cerca de 7 mil milhões de anos, o Universo está a entrar numa fase muito mais silenciosa e estável da evolução galáctica.


Conclusão: Os maiores buracos negros do Universo estão a sofrer um declínio massivo no crescimento porque o fornecimento cósmico de gás frio se esgotou. Esta mudança marca o fim de uma era de rápida expansão celestial, avançando em direção a uma paisagem cósmica mais estabelecida e estável.