É difícil imaginar hoje. Uma comédia do horário nobre. Um personagem principal. Decidir interromper uma gravidez. Na televisão.

Este não é um cenário hipotético de um drama corajoso da HBO. Isso aconteceu em novembro de 1972.

O episódio foi chamado ** “O Dilema de Maude”. ** Foi a segunda parte de uma história de duas partes. Foi ao ar na CBS. O show foi Maude. A protagonista foi Maude Findlay. Ela foi interpretada por Beatrice Arthur. Ela tinha 47 anos.

O momento foi explosivo. O episódio foi ao ar antes da Suprema Corte dos EUA emitir sua decisão Roe v. Wade. Essa decisão histórica legalizaria o aborto em todo o país em 1973. Mas em Nova Iorque? Onde Maude morava? Já era legal.

Maude descobre que está grávida. A gravidez é inesperada. Ela é mais velha. Ela tem filhos adultos. Ela tem um marido chamado Walter. O show não foge da decisão. Maude escolhe um aborto.

A reação foi imediata. E violento.

Os espectadores ligaram para a rede. Eles enviaram mensagens de ódio. Algumas afiliadas da CBS recusaram-se a transmitir reprises do episódio. Foi retirado da distribuição em vários mercados. A polêmica não foi apenas sobre o ato. Era sobre uma mulher branca de meia-idade discutindo o assunto em rede nacional.

O episódio gerou protestos e polêmica, levando algumas afiliadas da CBS a excluí-lo das reprises.

Este não foi um comentário social sutil. Foi direto. Era popular.

Por que isso importa agora? Porque quebra o mito de que a televisão evitava os direitos reprodutivos até recentemente. Maude fez isso décadas antes. Isso colocou o debate nas salas de estar de toda a América.

O show foi exibido de 1972 a 1978. Foi um spin-off de All in the Family. Maude era prima da esposa de Archie Bunker. Edite. Mas Maude era mais perspicaz. Mais progressivo. Mais liberal.

O “Dilema de Maude” era um risco. Um enorme. A CBS poderia ter puxado isso. Eles não fizeram isso.

O episódio foi ao ar durante duas noites. A primeira parte configurou a gravidez. A segunda parte cobriu o aborto. O roteiro foi escrito por Norman Lear. Ele era conhecido por ultrapassar limites. Ele sabia o que estava fazendo.

As pessoas estavam com raiva. Alguns espectadores sentiram que o programa estava promovendo a imoralidade. Outros o chamaram de corajoso.

O impacto cultural foi significativo. Isso forçou uma conversa. Um nacional. Sobre os corpos das mulheres. Sobre escolha. Sobre lei.

O estado de Nova Iorque aprovou uma lei de reforma em 1970. Ela permitia o aborto sob certas condições. O enredo de Maude refletia essa realidade. Não foi uma fantasia. Foi um reflexo do que estava acontecendo em alguns estados.

Mas para o resto do país? Era estrangeiro. Foi chocante.

A reação foi real. Os anunciantes desistiram. As estações receberam ameaças. A rede recebeu milhares de reclamações.

Mesmo assim, o episódio foi ao ar. Ficou no ar. Tornou-se parte da história da televisão.

Beatriz Artur. Uma atriz judia. Interpretando um personagem judeu. Ela era uma mulher forte. Um comediante. Um ativista fora das telas também. Seu desempenho foi matizado. Ela mostrou hesitação. Temer.