Pensamos na terra como sólida. Quieto. Estável.
Não é nada disso quando o Sol grita.

Os cientistas concluíram um projeto de dezoito anos de mapeamento da resistência elétrica na América do Norte. Eles fizeram isso porque temos um problema. Se uma tempestade solar como a de 1989 atingisse hoje? Estaríamos em apuros.

Mapeando o Invisível

O United States Magnetotalluric Array (USMTARRAY) finalmente divulgou seus dados. Depois de medir flutuações em mais de 1.800 locais em todo o país, pesquisadores de Harvard e Smithsonian construíram o primeiro mapa 3D detalhado de como a eletricidade se move no subsolo.

Não é apenas sujeira.
É fluido, minerais, calor e rocha antiga.

“Magnetotelúrico… responde muito fortemente a coisas como fluidos”, disse a autora principal Anna Kelbert. “Isso nos dá uma janela fundamentalmente diferente em comparação com os dados sísmicos.”

Este mapa desce até o manto. Mostra para onde vão as correntes quando o céu escurece.

O problema dos 22 volts

Em 1989, uma tempestade solar apagou Quebec por nove horas. Foi ruim. Mas o solo sob o leste dos EUA conduz eletricidade de forma diferente do Canadá. Pior para a rede, especificamente.

A equipe de Kelbert analisou dados da mesma tempestade de 1989. Em um local no Maine, o campo geoelétrico atingiu 22,79 volts por quilômetro.

Para colocar isso em perspectiva: as redes elétricas odeiam a corrente contínua (CC). Eles são construídos para corrente alternada (CA).
Qualquer coisa acima de 1 V/km deixa a indústria da rede nervosa.

Doze vezes esse limite? Isso é perigoso.

Se você aplicar essas tensões ao longo de uma linha de energia de 200 km, obterá 4.000 volts conduzindo CC através de seu equipamento. Superaquecimento dos transformadores. Eles derretem. Eles são caros. Eles levam meses para serem substituídos.
E durante esse tempo? Você não tem luz.

Fica pior

Aqui está a reviravolta.
Costumávamos pensar que a resistência elétrica da Terra mudava suavemente. Um belo gradiente. Uma coisa levando a outra.

O novo mapa prova que estávamos errados.
O risco geoelétrico muda enormemente em apenas alguns quilômetros.
Uma usina elétrica aqui é segura; um a oito quilômetros de distância está na zona de explosão.

Atualmente, esses dados alimentam alertas em tempo real para a NOAA e o USGS. Ajuda os gestores de emergência a saber quais partes do país estão prestes a aquecer os seus transformadores. É uma grande melhoria em relação aos antigos modelos 1D. Mas é reativo.

Ossos Antigos e Falhas Futuras

A pesquisa também encontrou coisas não relacionadas a tempestades solares. Como um quebra-cabeça geológico de bilhões de anos.

Eles podem ver antigas massas de terra colidindo. Zonas de subducção enterradas no subsolo. Grafite. Minerais sulfetados.
É um mapa de como a América do Norte chegou aqui. E sim? Pode ajudar a encontrar novos depósitos minerais.

Mas a preocupação imediata é o Sol.

“Ainda há uma lacuna”, observa Kelbert. Entre saber que os campos existem e tomar decisões operacionais a tempo de desligar uma rede.

Previsão.
Esse é o objetivo. Neste momento, podemos detectar a onda de entrada. Podemos mapear para onde a eletricidade quer ir.

Podemos pará-lo a tempo?

O solo é condutor. O Sol está ativo.
E os fios estão esperando.