A cola que funciona
Biofilmes. Parece viscoso, certo?
Isso é. Essencialmente, uma comunidade pegajosa de micróbios. Eles se colam nas superfícies. É uma tática de sobrevivência. Quando o ambiente se torna tóxico, eles se reúnem em busca de proteção.
Essa natureza pegajosa acabou de se transformar em uma vantagem. Os pesquisadores descobriram que a levedura, especificamente o tipo que vive em biofilmes, pode retirar microplásticos da água.
Os biofilmes permitem que os micróbios se agarrem a superfícies sólidas, protegendo-se dos factores de stress, ao mesmo tempo que criam uma camada densa e activa no exterior.
Veja como funciona.
As células de levedura liberam floculantes. Esses produtos químicos são basicamente cola magnética. Eles fazem com que pequenas partículas suspensas no líquido se acumulem. Chamamos esses aglomerados de flocos. A eletricidade que normalmente mantém as partículas separadas é neutralizada. Eles ficam juntos. Eles ficam pesados. Então eles afundam.
Ou eles flutuam. Depende da densidade.
Este processo, denominado floculação, não é novo. Mas usar levedura para atingir especificamente os microplásticos? Esse é o experimento.
O problema é pequeno
Microplásticos. 5 milímetros ou menos.
Eles estão por toda parte. Garrafas quebradas. Sacos. Fibras de roupas desgastadas.
Se você derramar água poluída através de um filtro padrão, a maioria dos microplásticos escapará. Os furos no filtro são maiores que os pedaços de plástico.
Então, o que fazemos?
Deixamos os pedaços de plástico darem as mãos.
Se conseguirmos enganar esses pedaços microscópicos de poliéster ou polietileno para que se agreguem, nós os transformaremos em algo grande o suficiente para ser capturado. Algo que o fermento pode levantar ou assentar.
Os pesquisadores se concentraram em dois culpados comuns. Tereftalato de polietileno ou PET. Pense em garrafas de bebidas. Também polietileno simples. Pense em bolsas. Invólucros.
O PET se quebra em fibras de poliéster quando lavado. O polietileno se desfaz à medida que os sacos apodrecem.
Levedura para o resgate
O estudo testou diferentes cepas de levedura. Alguns eram bons. Outros não.
Tudo se resumia à camada de hidrogel que cercava as células de levedura. Este material inteligente à base de polímero reage ao ambiente. Sal. Temperatura. Níveis de pH.
Se o hidrogel atrair bem a água, ele criará uma barreira pegajosa. Uma barreira pegajosa prende o plástico.
O grupo de controle, obviamente, nos mostrou a linha de base. Sem fermento, apenas água suja. Os resultados aí? Ainda sujo. Como esperado. Os controles são necessários para provar que a variável – a levedura – realmente fez alguma coisa. Sem controle, você está apenas adivinhando.
Por que isso é importante
Vamos falar sobre corais.
Os recifes de coral são ecossistemas. Frágeis. Animais marinhos que constroem casas de pedra para si e para todos os outros. Eles estão sufocando. Não em âncoras, mas em plástico.
Quando os peixes comem plástico, as toxinas se acumulam. Subindo na cadeia alimentar.
Espere, não somos mamíferos também?
Sim. Humanos. Comemos o peixe. Bebemos a água. Se a água estiver cheia de polímeros degradados, esses produtos químicos entram em nós.
Microrganismos degradam plásticos? Talvez. Mas geralmente é lento demais para importar antes que o plástico entre no oceano. Essa abordagem do fermento acelera as coisas, removendo-as fisicamente. Ainda não destruindo a estrutura química. Apenas separando o poluente da água.
É uma solução física para um problema químico.
Não é uma bala de prata
A economia impulsiona a produção de plástico. Por que? É barato. Leve. Durável.
Durável é o problema. Não quer ir embora.
Este método de levedura é promissor, com certeza. Mas é uma experiência. Não limpará o Oceano Pacífico amanhã.
Os dados sugerem que funciona em um copo. Pode ser dimensionado?
As estações de tratamento de águas residuais movimentam bilhões de galões. Se integrassem culturas de leveduras, conseguiriam filtrar os pedaços invisíveis antes que a água chegasse ao mar?
Talvez.
Mas, por enquanto, só temos biofilmes. Pegajoso, cola microbiana fazendo um trabalho para o qual nunca evoluíram.
O plástico não desaparece. Ele simplesmente é pego. E pegá-lo é metade da batalha.
O resto? Ainda não descobrimos o fim. 🍄
